domingo, 18 de maio de 2008

As ramificações da vida

Essa semana foi “movimentada”, mas não no melhor sentido da palavra.
Ontem, mais ou menos ás onze da manhã eu estava no hospital, mais uma vez. Já que não foi o suficiente ter ido semana passada depois do meu tropeço no cinema que me custou uma contusão no braço direito. É foi no cinema. Pode acreditar.
Então, estava eu no hospital mais uma vez, só que ontem por outro motivo. Dor de garganta. Muita dor de garganta, que refletia em uma dor de ouvido também insuportável. Depois de um longo tempo de espera, o médico da emergência me examinou. Abri a boca e a primeira coisa que ele falou foi: “Tá horrível!”. A partir daí mais que dolorida, estava assustada. Minha mãe desconfiada pediu pra examinar também. Pronto, a expressão no rosto dela já era suficiente para eu imaginar a visão que eles tiveram. Eu sou assim com essas coisas de doença, sempre imagino o pior. Pois então, fiquei no soro lá no hospital. Recebendo alguns remédios pela veia. Até a enfermeira achar minha veia foi um custo como sempre. Aí eu já estava assustada, e dolorida duplicadamente.
Na sala comigo estavam também um casal (ambos com dengue), um senhor com a esposa e um jovem muito irritado de estar sentado, esperando as gotinhas do soro pingarem, e a minha mãe. Que, aliás, é uma santa. Sempre vai comigo ao hospital. De repente entra por uma porta um médico ou enfermeiro e diz: “Emergência! Trauma!”. Uma enfermeira, se não me engano chamada Maria das Dores (um nome bem sugestivo não acham?) que estava atendendo o senhor com a esposa, disse: “Deixa que eu vou!”. O senhor que estava sendo atendido, perguntou: “Você gosta de atender trauma?” Ela: “Sim!”. E riu. Eu, com minha dor, não me prestei a entender muita coisa, só escutava.
Passou-se um tempo, a minha dor era igual, o soro do casal com dengue estava no final e entrou outra enfermeira e perguntou: “O que houve lá no trauma?”. Uma terceira respondeu que não sabia. A outra insistiu e perguntou: “Teve alta celestial?”. “Aham”. E continuou: “Nossa, me livrei dessa!”. Fiquei pensando o que era alta celestial. Pensei. E resolvi perguntar para minha mãe: “Mãe, o que é alta celestial?”. Minha mãe olhou com uma cara triste pra mim: “Morreu”. Naquele momento muita coisa passou pela minha cabeça. Não sei como, mas comecei a lembrar da quarta-feira.
Eu tinha ido a uma visita a UFRJ. Assisti várias palestras sobre diversas profissões. Entre elas direito, comunicação, astronomia, nutrição... (Não que eu me interesse por todas, mas achei legal conferir algumas, como astronomia). E disse pra minha mãe que estava muito em dúvida entre direito e comunicação e não sabia o que fazer. A gente conversou sobre aquilo. Ela sempre atenciosa. Explicando-me o que era cada cargo do direito. Foi aí que eu disse: “Entranho como a vida das pessoas toma rumos tão diferentes, né? Quero dizer, até então estamos todos no ensino médio, depois parece que tudo se ramifica”.Minha mãe concordou e disse: “É. Cada um tem um lugar onde gosta de estar. Esse pessoal gosta de estar aqui no hospital. Atendendo e lidando com pessoas”.
Aquilo ficou martelando na minha cabeça. E cheguei a várias conclusões. Não lembro da maioria. Mas sei que é assim mesmo que as coisas são. Uns querem abrir corpos, curar doenças e salvar vidas. Outros gostam de analisar as estrelas e fazer cálculos de física. Ainda tem o grupo da natureza, os que querem lidar com os animais. Outros com a terra, com o computador, com alunos, com livros, com leis, com átomos e alimentos... A dúvida para onde se ramificar, que caminho seguir, se imaginar no futuro, é tudo muito difícil, mas seria pior se tudo fosse tão igual. Se todos tivessem as mesmas funções.
O bom (ou ruim) é que as possibilidades são tantas hoje em dia, que podemos disser que é mais fácil elas se encaixarem a nós do que nós a elas.
Depois de tantas reflexões, o remédio e o soro já tinham acabado de pingar. Eu pude ir embora. Fiquei na calçada do hospital esperando meu pai chegar para nos buscar, nisso a família da pessoa que tinha morrido estava atrás de nós. Mais uma vez pensei em muita coisa. E ao mesmo tempo agradecia a Deus, porque comigo era só dor de garganta. Meu pai chegou, fomos pra casa. Almocei sopa. O dia continuou bem. A dor já está bem menor, mas continuo assustada. Só que dessa vez não com o diagnóstico do médico. Com o futuro.
Inspiração: Precisa?

6 comentários:

Vanderlei e Márcia disse...

Como sempre um excelente texto e uma ótima reflexão. Podemos olhar o mundo das mais variadas formas. Olhar com a ótica otimista me parece muito melhor. Uma reportagem na revista Época mostra que as mortes por guerras estão muito menores e as possibilidades do Brasil são grandes pois gastamos pouco dinheiro com armas. é uma forma positiva de ver o mundo. Ver o mundo de forma otimista não significa alienação.Bem e mal andam juntos sempre. O joio e o trigo nascem juntos mas o destino dos dois é totalmente diferente. Acima de tudo quando se tem muitas ramificações devemos tomar uma decisão. A indecisão consome a pessoa. Podemos no futuro mudar (outra decisão) não podemos porém ficar indecisos.Não importa o que fazemos e sim como vivemos o que fazemos. Portanto importante é refletir e TOMAR UMA DECISÃO mesmo que ali na frente (com mais informações) tenhamos que mudar o rumo.
Desejo melhoras para você.

Teu pai que te ama!!!!!

Gabriella Orlani disse...

RAFA!
já está melhor?
confesso que entre direito e comunicação, prefiro comunicação. Não pela praticidade, mas sim porque é a carreira que pretendo seguir desde pequena =).

melhoras! e apareça, estou com saudades!!
beijos.

Faber disse...

Uma vez o Breno escreveu um texto no blog dele motivado pelas mesmas inquietações. E eu disse a ele o mesmo que vou dizer a você: o que faz a vida ser interessante é a possibilidade de escolhas. É claro que isso também envolve dúvidas, incertezas, perdas... Mas imagine como viver seria desmotivador se não pudéssemos fazer escolhas e aprender com elas?

Felipe disse...

Puts! Que texto bom...
Nossa, muito bom mesmo, bah introdução / desenvolvimento / conclusão muitooo bom!
Agora, o contexto, eu também achei muito bom, nossa, parecia q eu tava lendo alguns desses autores famosos por aí!!
bjão keep going on and on and on and on and on and beyond!

Stephanie Evaldt disse...

=) Fazia muito tempo que eu não vinha aqui...dei sorte de vir em um post que o assunto me assusta um pouco, hehehe. De tanto que a gente pensa em vestibular, profissões, futuro, acho que a gente acaba meio que perdendo o rumo, ou encontrando vários outros que poderiam se tomar pra quem sabe ter um futuro legal e tal... O problema é que nunca saberemos se foi o melhor. Mas o que mais me intriga é como as pessoas pensam e são diferentes. Normalmente pensamos "Nossa, eu não faria isso! Ou eu faria com certeza, faria diferente...!" E muitas vezes isso acontece com as pessoas mais próximas...
Seria bom se a gente pudesse tentar de tudo um pouco, e se errar, voltar atrás. O problema é que a vida é tão curta, que não dá tempo de fazer tudo, mas aí já é outro assunto... :P

Thiago disse...

Vir aqui e ler um texto seu é sempre uma surpresa. As vezes o mais inusitado é o conteúdo dos seus textos. Você consegue mostrar muita coerência com as palavras e acaba conquistando o leitor nao só com os recursos de linguística, pontuaçao e coesão, mas também com as idéias.
de fato, a vida da gente é regida por fases e existem certos momentos que nos impelem a tomar decisões importantíssimas... Esse ano mesmo, pra mim, será decisivo.
Muito bem Rafa, saiba que se for fazer direito terá ainda, pela frente, uma série de escolhas a fazer. Haja ramificaçoes né. Embora seja um profissão muito atraente. E caso tenda pra comunicaçao saiba apenas, que já está muitissimamente bem encaminhada.=)

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