segunda-feira, 1 de março de 2010

Conquistando ou Entretendo?

Última conferida no espelho, última borrifada de perfume, retoque no batom, cabelos soltos e equilíbrio sobre o sapato de salto alto. Estava pronta. A partir daí tudo que poderia acontecer estaria por conta do acaso de um encontro. Todo aquele processo de conhecer o outro estava só começando, as surpresas ainda continuavam guardadas. Por enquanto, a aparência já havia feito o papel da atração – e como dizem por aí - faltava o conteúdo fazer seu papel de convencer. O papo ia bem, cada um falando um pouco de si e das suas experiências, a mesa em pouco tempo tornou-se completa com outros casais, até que surge o comentário terceiro que me fez refletir: “Ah, eu gosto mesmo é de mulher malucona! Daquelas que sobem na mesa pra dançar!”.

Confesso que posso até ser injusta na interpretação, mas aquilo chegou aos meus ouvidos como uma sutil indireta. Afinal, não me sentia na situação mais confortável do mundo, estava inegavelmente tímida e, portanto um pouco “travada”. No entanto, assimilei aquilo e resolvi que continuaria sendo eu mesma, mesmo que tímida naquele momento em especial. Já em casa, fiquei feliz comigo mesma de não ter alterado meu comportamento simplesmente para agradar, conquistar ou causar algum tipo de boa impressão. Sinto até que isso me fez mais confiante naquela noite. Qualquer que fosse o assunto e a situação, sendo eu mesma dificilmente cairia no ridículo. E se caísse? Sem problemas, a proposta não era nos conhecermos? Essa era eu.

Enfim, a questão não é o que outro gosta que você passa a ser, mas o que você é e o outro passa a gostar, admirar. No entanto, vivemos querendo ser o que os outros já ditaram ser melhor. Sem perceber que o mais cativante é o encontro dos gostos, a afinidade que acontece naturalmente, não aquela que é construída. A conquista baseada no “ser o que o outro gosta”, é tão superficial como beijar um desconhecido. Afinal, terminado o encontro, ao olhar novamente no espelho é bom que você se reconheça para ser conhecido, porque o perfume evapora, o batom desbota e uma hora você tem que descer do salto...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Dois Rios de Mim

"Nós não podemos nunca entrar no mesmo rio, pois como as águas, nós mesmos já somos outros."

Heráclito de Éfeso




E o tempo passou... E tanta coisa mudou...

E hoje estou aqui, em meio a milhares de prédios, atravessando ruas lotadas de carros, andando por calçadas de pedras portuguesas, sentindo a brisa do mar ao abrir a janela, estou no Rio de Janeiro.





Seja seu codinome clichê, piegas ou não o bastante para descrevê-la, ela é sem dúvida uma cidade maravilhosa. Não encontro outro lugar de misturas tão belas e tão fortes. A montanha e a faixa de areia a poucos quilômetros, o urbano e o mar a poucos metros, o ricaço e o miserável a centímetros de distância... É o Samba na Sexta, o Funk no Sábado, a Bossa Nova no Domingo embalando o passeio na orla...




São contrastes que lavam a alma, e outros que a fazem pesar. É o nascer do sol na Praia de Botafogo, é a Rocinha com São Cristóvão ou vice-e-versa.

É tanto, mas tanto barulho, tanto movimento, tantas pessoas, tantas vidas, várias delas empilhadas sem se quer notar a existência uma da outra.



Quantos elevadores sobem?

Quantos descem?

Quantos carros buzinam?




E no meio disso tudo, procurei o silêncio. O procurei para sentir alguma parte de mim que exista sem que o cansaço a tenha atingido. O procurei, fechei os olhos, mas foi em vão. A cidade não silencia, e a falta disso me fez lembrar o lugar de onde vim. Antes de conhecer esse fenômeno chamado Rio, conheci outro.




Foi de lá que vim, e desde então minha vida nunca mais foi a mesma. Foi lá que deixei o silêncio de um fim de tarde, o canto dos passarinhos no nascer do sol, as laranjeiras, os limoeiros, o conforto de uma casa ampla mesmo que sem muitos luxos. Estão lá, pessoas incomparavelmente importantes, capazes de florescer a mais doce das nostalgias. Por lá, ficou minha infância, a ingenuidade das brincadeiras entre primos, sobrinhos, vizinhos, aparentados, conhecidos, e - porque não? – desconhecidos também.





Sinto falta disso tudo, sinto que lá ainda existe o silêncio que tanto quero, o instante de repouso para os ouvidos, o cessar do zumbido dos freios, o travesseiro da mente, a válvula de escape de toda essa poluição sonora e visual que bombardeia a cidade grande.





No entanto, hoje sei que sou completamente apaixonada por dois Rios. De pampas, de serras, de praias, de um mês, de um ano inteiro... São amores tão concomitantes quanto a vontade que tenho de estar em dois lugares ao mesmo tempo. E prometo a eles amor no silêncio ou no barulho, porque afinal assim sou eu: dividida e dessa forma completa. Cada parte de mim, é uma metonímia de um lugar...






Créditos: Foto Praia de Botafogo - Leandro http://novedoquinto.blogspot.com/

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sobres Viagens - as metamorfoses que me causam

E conforme o tempo passa
,
me despedaço em cada passo
nesse mundo...

E enquanto puder partir,
cada nova parte minha
vai se unir...

domingo, 8 de novembro de 2009

Santa Catarse



Lendo aos poucos, cada detalhe, surtindo cá dentro tua imagem, pareço roubar o lugar que é seu. Vejo, ainda cá dentro, seus dedos formando paisagens, momentos, histórias, que ainda que suas, também foram minhas.
Eu sei que no fundo todo romance converge, peculiares são os vocativos íntimos, os cheiros marcantes, os beijos e afins. Ainda assim, tenho para mim, que essa coisa toda de amor é tão universal que – veja só que novidade – o fim do seu ao meu foi igual.
Sobre você sei muito pouco, mas já consigo descrever o que lhe rendeu uma paixão... Acho que é para isso então que vivem os poetas: fazer surgir em quem lê, essa confortante sensação.
A identificação...




.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

"Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração..."

Sei que o despertar de cada manhã já não faz você sorrir como antes, que continuar deitado na cama seria mais fácil do que encarar o mundo mais uma vez. Que o conforto de pertencer a um lugar seu, mesmo que estreito, mesmo que feito só de pano, torna-se mágico perto do que a rotina te oferece todos os dias. Sei que ao redor tudo parece errado, trocado, fora do lugar, fechado para você. Como que por instinto, você reage na mesma intensidade.Erra, troca, fecha o mundo de você. Fecha o sorriso - lindo sorriso - fecha os olhares, fechas os dias, mesmo aqueles claros, raros, domingos de sol.
Só desejo que não feche sua alma. Deixe ela livre de qualquer cotidiano regrado, de qualquer amor mal acabado... Afasta do que você tem de melhor as influências negativas, por mais persistentes que elas sejam. Jamais esqueça que para o tempo não há freios: assim como as coisas boas vão, as ruins também, e inevitavelmente a velocidade está fora do controle. Porém, na sua vida, a direção quem dita é você, e só você... E o seu sorriso!




*
Für Sie, Pour vous, Para usted, Para você! =)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O desconhecido, conhecido foi



Mulheres flertam, se apaixonam pelo homem x, namoram o homem x, fazem planos com o homem x, convivem e dividem suas vidas com o homem x e por isso julgam conhecê-lo MINUCIOSAMENTE: o jeito de pedir um favor, o sorriso de quem quer mais que beijinho, o franzimento de chateação e etc e etc e etc. Até que como acaso do destino, incompatibilidade de histórias, ou simples "erros de calculo" o x agora é y. Estranho não é mesmo? Ontem quem estava ali era um, agora... Agora quem está ali? Mal se sabe então quem sempre esteve ali. A palavra que fora dita ao pé do ouvido, o beijo seguido de juras, aquela ligação que caiu na caixa postal... Tudo volta, sob reflexões, indagações e incertezas. Por instantes - para outras um pouco mais que isso – a neurose desperta e a solidez dos castelos e jardins dos contos de fadas que tanto insistiram em colocar em nossas mentes, desmorona. Então quer dizer que tudo pode ter sido uma simples mentira? Nada foi verdadeiro? Nada restou? Infelizmente minhas caras mulheres-meninas-princesas não há resposta. Se hoje os olhos, que te olharam com todo aquele fulgor e paixão, parecem simplesmente negar a sua real imagem, trazendo todos esses questionamentos e pondo em xeque o que um dia já teve todas as suas fichas depositadas, não significa exclusivamente que os olhos são outros. Que o que um dia foi, deixou de ser. Tudo bem, em alguns momentos já não se tem mais a distinção do que de fato foi e do que você possa ter criado, sem querer, embalada no seu conto mágico. No entanto, acredite que você foi capaz de construir algo verdadeiro, e que o amor dado não foi desperdiçado, porque aqui estou eu para reiterar mais uma vez: as pessoas mudam; mas não na mesma velocidade. Acompanhar ou não esse ritmo não é escolha nem responsabilidade, é vida. Aliás, saber viver na sua própria velocidade, chama-se: amadurecimento. Aproveite a próxima vez que se olhar no espelho e ao invés de reparar só no que poderia melhorar, olhe bem fundo nos seus olhos e acredite que você fez valer, e a sua paixão e o seu fulgor que um dia já habitaram ou habitam neles são reais independente de mudanças ou da passagem do tempo. Afinal, você conhece a sua verdade, mais do que qualquer um.


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sugestão

Enfim consegui resolver os problemas da minha conta do YouTube! Então vim logo postar para vocês um vídeo, como que uma linha do tempo, sobre o período de Ditadura Militar no Brasil!
O conjunto de imagens, vídeos e músicas, particularmente, é ótimo! Confiram e comentem!


Agradecimentos especiais ao Leandro ;-)


Ainda posto um outro vídeo "cômico" do Collor!


Beijos!

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