quarta-feira, 7 de julho de 2010

Tempos de Copa!

Tudo uma beleza! Muita torcida, muitas cores, muitas festas!

E que bom que é assim! Mas por outro lado...

Pouca idéia, pouca pauta, muita apelação.

Isso porque boa parte da mídia brasileira tem caído em repetição como nunca.Parece ter sofrido um efeito avassalador das “vuvuzelas”, a ponto de viciar-se no assunto que as contém.

Vejo, mais especificamente nas grades de programação aberta, como as pautas dos telejornais andam com uma falta de idéia do que falar, que na verdade seria melhor definida como falta de boas análises. Aliás, simplesmente falta de parar um pouco e olhar para o Mundo afora. Já estou cansada desta mastigação maçante da derrota do Brasil para a Holanda.

Acredito eu, que nós – telespectadores e povo brasileiro - já assimilamos que os repórteres estão buscando entender porque fomos eliminados da Copa do Mundo da África. Afinal, estamos juntos nessa, não é mesmo? Aliás, eu e a torcida – a favor e contra – do Flamengo também gostaríamos de uma explicação pontual. Eu disse: gostaríamos! Porque explicações existem muitíssimas, opiniões então, nem se fala! Achar uma pontual não é tarefa fácil, sequer possível.

Mas daí a fazer dessa procura pela razão da perda o assunto das matérias, do conteúdo do horário nobre da televisão brasileira, é revoltante. Quem trabalha com televisão – e quem está começando a entender o trabalho nela – sabe o quanto são valiosos segundos em uma transmissão. E ainda assim, segundos são dados para serem cuspidos em rede nacional.

Senão, me digam qual a serventia tem a suposta explicação do pé frio do Mick Jagger! As coincidências das suas aparições com as perdas são engraçadas? Claro! Ok! Vamos rir disso! Ele é uma celebridade que chama a atenção por onde passa e gera comentários? Sim! Comentemos! Mas também saibamos dar um rumo diferente nas discussões, nos comentários. Porque amanhã ou depois, o Mick Jagger morre, e seria uma pena se ficássemos sem assunto. Ou não, porque a morte dele servia para tal, né? Mas enfim...



Agora dizer que o sujeito tem pé frio porque é ALTO, MAGRO e INVEJADO, e mais, QUE PESSOAS QUE SÃO MUITO INVEJADAS SÃO – categoricamente – PÉ FRIAS, já passou um pouco do limite, não?

O problema é que a mídia brasileira se abastece de polêmicas. Umas muito importantes e utilitárias, outras tão inúteis e indiferentes quanto a presença do Mick Jagger para a decisão do resultado de um jogo de futebol. Ou, para citar um exemplo, saber detalhes da separação da Stephanie Britto com o Pato realmente acrescentou algo a sua vida? Isso para citar UM exemplo.


Espere durante uns quinze minutos em um salão de beleza que você encontrará mais centenas, no conteúdo disponibilizado para o seu entretenimento durante a espera.


No entanto, seria mais do que injusto criticar de forma ampla e abrangente a mídia brasileira quando quem a faz, de uma forma ou de outra, somos nós. A população brasileira. E nisso, claro, eu me incluo. Isto tudo é um grande reflexo de como se dão, em geral, as nossas rodas de conversas. O assunto mais interessante e mais comentado sempre acaba sendo o amigo gay que está começando a sair do armário, a terceira que tomou porre no último fim de semana, o deslize do colega, o término do fulano e por aí vai... E vai longe!

Nós nos alimentamos do que também damos de comer...



Enfim, isso foi mais um desabafo do que propriamente um texto! Fiz no último domingo, dia 4 de Julho!

domingo, 9 de maio de 2010

TODO ESSE GLAMOUR É FAKE!

Se não fosse antes estressante, a situação poderia ser descrita como cômica: anoitecendo, aquele cansaço de final do dia se instalando e minha atenção se dividia entre não pisar nas poças da chuva, me proteger da mesma com o resto de guarda-chuva que ainda não tinha quebrado enquanto eu evitava que minha bolsa também ficasse encharcada. Sem esquecer que tudo isso vinha conjugado com os inúmeros desvios entre as pessoas, para que elas não fossem atingidas por essa parafernália/“arma” chamada guarda-chuva quebrado. Feito esse circuito urbano com obstáculos , subi na van acreditando que teria meu Happy End nesta cena de filme à la Ben Stiller – onde tudo dá errado até que, enfim, tudo fica bem.
Doce ilusão... Imaginou uma van bem cheia em dia de chuva no RIO DE JANEIRO (ênfase no Rio de Janeiro)? Pois então, era pior...
Essa situação toda me fez refletir como a vida não é glamourosa (Não lembre do Funk do Marcinho!) e logo me veio em mente o título deste texto:

TODO ESSE GLAMOUR É FAKE!

Glamour
(palavra inglesa) s. m. Beleza sensual, considerada característica de certas !atrizes de Hollywood. (Fonte: www.priberam.pt) Encanto, fascínio, charme. (Fonte: www.michaelis.uol.com.br)

Além destes significados práticos e Hollywoodianos dos dicionários, pensemos em relação ao significado que temos do glamour em nossas vidas, durante o cotidiano. Virgínia Postrel, uma crítica cultural, deixa bem claro que glamour trata-se de uma falsificação. Uma falsificação com um intuito de vender uma idéia.
Eu diria, então, que glamourizar a vida é querer vender a idéia de que somos pessoas plenamente felizes, completamente realizadas, que temos algum – nem que seja um - tipo de poder e que tudo durante nossa vida dá certo, ou pelo menos, chega próximo do ótimo. É - como diria a expressão popular - forçar a barra! Ninguém é cem por cento do tempo glamouroso, então, porque a insistência em assim parecer?
Quem quer que seja, tenha o dinheiro que tenha, seja celebridade, seja socialite, seja eu, seja você passa por momentos de crise, momentos de pressão! E é aí que a coisa pega! E é aí que entra em teste todo esse glamour forjado, bem exposto em fotografias. Quero ver a vida cheia de glamour quando o pneu fura, quando o papel higiênico acaba, quando o guarda-chuva quebra... Afinal, ninguém está livre de conversar com alguém que tem mau hálito. E isso lá é glamour?
Pessoas muito preocupadas em glamourizar a vida, a todo instante – e a todo custo – não transcendem, não vão além da imediatividade do aqui e do agora. Já que transferem o motivo de suas reflexões para a constante preocupação de estarem com glamour. Transferem suas preocupações existenciais para o âmbito material da vida, que é efêmero e vazio. Ou seja, o tempo todo se preocupam em como estão sendo vistas e admiradas pelos outros. Convergem seus esforços para a tarefa de exibir e inspirar glamour, além é claro, de viverem na espera dos elogios por tão árduo trabalho. Pessoas assim, acabam deixando de existir, e passam simplesmente a ser.
Resumindo de forma bem direta: A vida real não tem glamour! Aliás, glamour é algo inventado que na origem de seu significado remete a encantamento mágico,ou seja, ilusão. No entanto, não por isso a vida é feia e chata. Até porque a associação de glamour e beleza é tão inventada como o conceito decorrente de glamour. Associação essa que não procede naqueles momentos anteriormente citados – e também em outros vários que não foram, mas que a vida se encarrega de exemplificar - em que nos vemos em meio a uma crise, a momentos de pressão ou a uma situação desesperadora que exige em último caso um toque de charme e beleza.
Viver sem glamourizar a vida não significa que devemos deixar de buscar e querer do bom e do melhor. Significa que não deveríamos nos preocupar tanto em parecer o bom e o melhor. Aliás, de forma mais ilustrativa, deveríamos nos preocupar em brindar de fato, do que garantir que o brinde seja com champanhe, cidra ou água.


Vale conferir a palestra da Vírginia Postrel sobre glamour, quem não tiver tempo/paciência para assistir toda ela, sugiro avançar para os 10 minutos de palestra!


Este é o link para a mesma palestra com legendas:
http://www.ted.com/talks/lang/por_br/virginia_postrel_on_glamour.html

Quem quiser comentar alguma situação da vida "desglamourizada" que já viveu, ia ser divertido! Fiquem à vontade! =)

domingo, 28 de março de 2010

O fenômeno da intimidade tecnológica

Reunidas ali por boas xícaras de café, trocando novidades entre um gole e outro, tecendo comentários (o eufemismo das fofocas) acompanhados por biscoitos maizenas úmidos de café, uma amiga me surpreendeu. Foi quando ela disse, em um tom cômico – pelo menos isso! - que passava mais tempo dos seus dias com seu “celular esperto’’ do que com seu próprio namorado/marido. Aquilo de primeira me chocou. Resolvi seguir com a conversa, mas depois não pude evitar em pensar sobre isso.
Não é normal!
Certo? Afinal, é simplesmente um aparelho tecnológico, sem emoções, sem razão, sem assunto, sem graça, SEM VIDA. Ao oposto, seu amor. Com tanta emoção, racional, bom de papo, charmoso e cheio de vitalidade. E ainda assim, a carga horária é inversamente proporcional à vivacidade das partes. No entanto, alguns poderiam argumentar:” Ah! Mas isso faz parte das exigências da vida de uma mulher moderna em um mundo de conexões e contatos!”. Sem dúvidas que faz. Qualquer mulher – e homem – que almeje seus sucessos profissionais precisa estar conectada com o seu mundo de interesses, atualizada e organizada com sua agenda de compromissos.


A questão é: até que ponto isso é normal? Ou melhor: até que ponto devemos racionalizar tanto a vida? Isso porque, em meio a inúmeros telefonemas, problemas, mensagens, alarmes, reuniões, se perde muito sentimento. As pessoas parecem não achar mais horário para a surpresa, espaço para um beijo mais demorado, mais caprichado, para um abraço intenso. Enfim, o schedule não permite tempo para apreciar quem se ama.


Estamos conectados a muitos, mas envolvidos com tão poucos.* Isso pode parecer comum, mas não normal. Até porque, gente gosta de gente, sem intermediários tecnológicos. Gosta de toque, de olho no olho, de fazer nada acompanhado, de curtir e ser curtido. Então, sem ter que largar de mão o celular e afins, usando-o apenas como ferramenta que é, e mesmo com pouco tempo que ainda temos, deveríamos saborear melhor além do café, além do biscoito, o outro. Com todas suas doçuras e amarguras. Desde que com apreço. E se possível, sem pressa...


* Vide a quantidade de amigos nos nossos sites de relacionamentos.

domingo, 21 de março de 2010

O poder INSTALADO

Que me perdoem Lulu Santos, Cidade Negra e os que gostam da música, mas todo mundo também espera alguma coisa de uma sexta à noite. Talvez, esse seja o motivo que leva tantas pessoas a enfrentarem filas planetárias – literalmente, pra quem me entende – para curtirem uma noite em, por exemplo, uma boate da zona sul carioca.

No entanto, foi durante a espera em uma dessas filas, que presenciei o inesperado. Porém não inesperado no sentido surpreendente. Inesperado, no sentido de boquiaberto, de “como assim?”, de “não estou acreditando!”, enfim, um inesperado impressionado.

Sem o mínimo pudor pela quantidade de pessoas de pé na espera - ou até pela empolgação de tamanha platéia – uma celebridade global instalou o que ficaria melhor definido como: a institucionalização monetária do poder. Com seus tão exibidos malotes de dinheiro tirados do bolso, criou-se uma atmosfera de “rei e seus súditos”. Já que o acesso ao privilégio de finalmente entrar na boate ficava por conta da escolha a dedo do global – sustentada pelos seguranças do local – ou da persistência e paciência em ficar de pé na fila.
Resumindo, ou ganhava-se o “título de nobreza” ou conquistava-se por mérito. E não bastasse a ostentação deslavada, os sorrisos de “eu estou podendo, nessa porra!” vinham seguidos de ressalvas irônicas em alto e bom tom do próprio:
- É o dinheiro! É o dinheiro!
Certo, não sejamos hipócritas, sabemos que o dinheiro move montanhas nesse mundo, e é óbvio que tomadas de poder desse tipo já são mais do que corriqueiras no cotidiano do Brasil, já fazem parte da descrição do nosso jeitinho brasileiro. Mas isso tudo ali na televisão, na notícia narrada pelo Bonner. Assim, tão de perto, tão escancarado, me deixou bem revoltada. Eu sei que não deveria, que a revolta tinha que ser independente do grau de envolvimento nas consequências da corrupção, mas ali, de pé, com salto alto prendendo nos paralelepípedos do chão, cansada já de tanto esperar e simplesmente tendo que conviver com um abuso de poder, com uma ostentação ridícula, acabou me revoltando mais ainda.
O problema não era a quantidade de dinheiro, o quão rica a pessoa era - aliás, que bom então que ela conquistou isso e agora pode usufruir – era mesmo a situação, o alarde, o despudor/prazer em ostentar, e a facilidade que as pessoas têm de aceitar serem levadas por alguém que se diz melhor conforme os critérios que constituiu inconstitucionalmente.
Agora concordando com os talentos citados no início: sim, todo mundo sonha em ter uma vida boa – financeiramente também, claro!-, mas ninguém necessariamente precisa ficar sabendo disso, ainda mais em um espetáculo regado à ostentação na porta da boate. Poupe-me...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Conquistando ou Entretendo?

Última conferida no espelho, última borrifada de perfume, retoque no batom, cabelos soltos e equilíbrio sobre o sapato de salto alto. Estava pronta. A partir daí tudo que poderia acontecer estaria por conta do acaso de um encontro. Todo aquele processo de conhecer o outro estava só começando, as surpresas ainda continuavam guardadas. Por enquanto, a aparência já havia feito o papel da atração – e como dizem por aí - faltava o conteúdo fazer seu papel de convencer. O papo ia bem, cada um falando um pouco de si e das suas experiências, a mesa em pouco tempo tornou-se completa com outros casais, até que surge o comentário terceiro que me fez refletir: “Ah, eu gosto mesmo é de mulher malucona! Daquelas que sobem na mesa pra dançar!”.

Confesso que posso até ser injusta na interpretação, mas aquilo chegou aos meus ouvidos como uma sutil indireta. Afinal, não me sentia na situação mais confortável do mundo, estava inegavelmente tímida e, portanto um pouco “travada”. No entanto, assimilei aquilo e resolvi que continuaria sendo eu mesma, mesmo que tímida naquele momento em especial. Já em casa, fiquei feliz comigo mesma de não ter alterado meu comportamento simplesmente para agradar, conquistar ou causar algum tipo de boa impressão. Sinto até que isso me fez mais confiante naquela noite. Qualquer que fosse o assunto e a situação, sendo eu mesma dificilmente cairia no ridículo. E se caísse? Sem problemas, a proposta não era nos conhecermos? Essa era eu.

Enfim, a questão não é o que outro gosta que você passa a ser, mas o que você é e o outro passa a gostar, admirar. No entanto, vivemos querendo ser o que os outros já ditaram ser melhor. Sem perceber que o mais cativante é o encontro dos gostos, a afinidade que acontece naturalmente, não aquela que é construída. A conquista baseada no “ser o que o outro gosta”, é tão superficial como beijar um desconhecido. Afinal, terminado o encontro, ao olhar novamente no espelho é bom que você se reconheça para ser conhecido, porque o perfume evapora, o batom desbota e uma hora você tem que descer do salto...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Dois Rios de Mim

"Nós não podemos nunca entrar no mesmo rio, pois como as águas, nós mesmos já somos outros."

Heráclito de Éfeso




E o tempo passou... E tanta coisa mudou...

E hoje estou aqui, em meio a milhares de prédios, atravessando ruas lotadas de carros, andando por calçadas de pedras portuguesas, sentindo a brisa do mar ao abrir a janela, estou no Rio de Janeiro.





Seja seu codinome clichê, piegas ou não o bastante para descrevê-la, ela é sem dúvida uma cidade maravilhosa. Não encontro outro lugar de misturas tão belas e tão fortes. A montanha e a faixa de areia a poucos quilômetros, o urbano e o mar a poucos metros, o ricaço e o miserável a centímetros de distância... É o Samba na Sexta, o Funk no Sábado, a Bossa Nova no Domingo embalando o passeio na orla...




São contrastes que lavam a alma, e outros que a fazem pesar. É o nascer do sol na Praia de Botafogo, é a Rocinha com São Cristóvão ou vice-e-versa.

É tanto, mas tanto barulho, tanto movimento, tantas pessoas, tantas vidas, várias delas empilhadas sem se quer notar a existência uma da outra.



Quantos elevadores sobem?

Quantos descem?

Quantos carros buzinam?




E no meio disso tudo, procurei o silêncio. O procurei para sentir alguma parte de mim que exista sem que o cansaço a tenha atingido. O procurei, fechei os olhos, mas foi em vão. A cidade não silencia, e a falta disso me fez lembrar o lugar de onde vim. Antes de conhecer esse fenômeno chamado Rio, conheci outro.




Foi de lá que vim, e desde então minha vida nunca mais foi a mesma. Foi lá que deixei o silêncio de um fim de tarde, o canto dos passarinhos no nascer do sol, as laranjeiras, os limoeiros, o conforto de uma casa ampla mesmo que sem muitos luxos. Estão lá, pessoas incomparavelmente importantes, capazes de florescer a mais doce das nostalgias. Por lá, ficou minha infância, a ingenuidade das brincadeiras entre primos, sobrinhos, vizinhos, aparentados, conhecidos, e - porque não? – desconhecidos também.





Sinto falta disso tudo, sinto que lá ainda existe o silêncio que tanto quero, o instante de repouso para os ouvidos, o cessar do zumbido dos freios, o travesseiro da mente, a válvula de escape de toda essa poluição sonora e visual que bombardeia a cidade grande.





No entanto, hoje sei que sou completamente apaixonada por dois Rios. De pampas, de serras, de praias, de um mês, de um ano inteiro... São amores tão concomitantes quanto a vontade que tenho de estar em dois lugares ao mesmo tempo. E prometo a eles amor no silêncio ou no barulho, porque afinal assim sou eu: dividida e dessa forma completa. Cada parte de mim, é uma metonímia de um lugar...






Créditos: Foto Praia de Botafogo - Leandro http://novedoquinto.blogspot.com/

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sobres Viagens - as metamorfoses que me causam

E conforme o tempo passa
,
me despedaço em cada passo
nesse mundo...

E enquanto puder partir,
cada nova parte minha
vai se unir...

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